22.10.05

MENSALÃO NA WIKIPEDIA

Dossiê radiografa as diversas vertentes, fatos e conseqüências do tal escândalo do mensalão. Útil para quem não tem saco para se alimentar a conta-gotas ao sabor do que pauta os interesses em jogo. Como se sabe, um verbete na wikipedia está em constante mudança, e aqui está a versão de 22.10. Próxima atualização quando o pedido de impedimento de Lula a ser feito pelo PFL ou alguma outra coisa relevante for lançado na Wikipedia

Antecedentes

No dia 18 de setembro de 2004, sábado, chega às bancas do Brasil a edição de número 1872 da revista semanal Veja, datada de 22 de setembro de 2004, quarta-feira, em cuja capa pode-se ler a manchete: "O escândalo da compra do PTB pelo PT. Saiu por 10 milhões de reais". Na página 44, o artigo "10 milhões de divergências" conta sobre que bases teria se assentado a aliança entre o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido dos Trabalhadores (PT). De acordo com o hebdomadário, o PT se comprometia a pagar a quantia de R$ 150.000,00 a cada deputado federal do PTB, em troca do apoio dos parlamentares petebistas ao Executivo. O não cumprimento da promessa teria provocado o rompimento entre os dois partidos, o que veio a culminar com a série de denúncias de corrupção alardeadas a partir de maio de 2005.

No dia 24 de setembro de 2004, sexta-feira, o diário carioca Jornal do Brasil publica em sua seção 'Brasil' o artigo "Miro denuncia propina no Congresso", o qual recebe destaque na primeira página com a manchete "Planalto paga mesada a deputados". A matéria, que faz menção à que havia sido publicada anteriormente na revista Veja, diz que Miro Teixeira, ex-Ministro das Comunicações, havia comunicado a existência do "mensalão" ao Ministério Público Federal.

No dia 25 de setembro de 2004 o Jornal do Brasil publica outra notícia que diz que o então Presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT) teria se comprometido a investigar profundamente a denúncia. Segundo o jornal, o Presidente Nacional do PPS, Roberto Freire, comentou: "Este assunto circula há meses no Congresso sem que ninguém tenha a coragem de aborda-lo".

[Editar]

Estopim

No dia 14 de maio de 2005, sábado, chega às bancas do Brasil a edição número 1905 da revista Veja, datada de 18 de maio de 2005, quarta-feira. Na página 54, a matéria "O homem-chave do PTB" denuncia um esquema de corrupção nos Correios, o que valeu na capa da revista a manchete "O vídeo da corrupção em Brasília". O artigo relata, com base em gravações feitas com uma câmera escondida, que o diretor do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios, Maurício Marinho, explica para seus interlocutores (dois empresários) como funciona o esquema de pagamento de propina para fraudar licitações, esquema este que seria gerido pelo diretor de Administração dos Correios, Antônio Osório Batista, e por Roberto Jefferson, deputado federal pelo Rio de Janeiro e presidente do PTB. O vídeo, anteriormente divulgado pelas principais redes de televisão, mostra Marinho embolsando a quantia de R$ 3 mil, referentes a um adiantamento para garantir a fraude.

Em função da participação de agentes da Abin na investigação da fraude nos Correios, suspeita-se que foi o próprio governo quem comandou as investigações, com o objetivo de lograr desfazer-se de aliados indesejados sem arcar com o respectivo custo político 1.

A partir daí, trava-se uma batalha política em que o governo tenta sistematicamente obstruir a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) para investigar os fatos.

Um acontecimento decisivo para a instalação da Comissão foi a manchete do jornal paulistano Folha de S.Paulo de 3 de junho, sexta-feira: "Operação abafa da CPI custa R$ 400 mi". No artigo "Operação contra CPI envolve R$ 400 milhões em emendas", publicado na seção 'Brasil', o jornal denuncia que o governo estaria liberando a quantia acima na forma de emendas ao orçamento, como moeda de troca para que o Legislativo não fizesse nenhuma investigação.

Diante dessa denúncia, parte da base governista se junta à oposição, defendendo a instalação da CPI. Acuado e abandonado pelos seus ex-aliados, Roberto Jefferson parte para o contra-ataque. No dia 6 de junho, segunda-feira, a mesma Folha de S. Paulo publica uma entrevista exclusiva com o deputado petebista, até então membro da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na entrevista, dada para a então editora do Painel da Folha, Renata Lo Prete, Jefferson conta que Delúbio Soares, tesoureiro do PT (o mesmo partido do presidente) pagava uma mensalidade de R$ 30 mil a alguns deputados do Congresso Nacional brasileiro, para que eles votassem seguindo a orientação do bloco do governo. Roberto Jefferson referiu-se a essa mensalidade como mensalão.

A palavra "mensalão" como sendo a mensalidade paga a cada deputado fica nacionalmente famosa por causa desta entrevista. Segundo Jefferson, o operador do mensalão seria o empresário Marcos Valério de Souza, cujas agências de publicidade SMP&B e DNA eram responsáveis por várias contas de órgãos públicos. A divulgação da notícia aprofunda a grave crise política no governo brasileiro e o episódio fica conhecido como escândalo do mensalão.

Após a denúncia da operação de abafamento da CPI e da entrevista de Jefferson, a oposição, com apoio de deputados governistas, consegue finalmente instalar, a 8 de junho, a chamada "CPMI dos Correios", cujo fato determinante, de acordo com seu requerimento de criação, seria "investigar as causas e conseqüências de denúncias de atos delituosos praticados por agentes públicos nos Correios — Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos".

Tendo perdido essa batalha, o governo busca então a conquista dos postos-chave da CPMI dos Correios. A Presidência e a Relatoria são ambas ocupadas por aliados do Palácio do Planalto: o senador Delcídio Amaral (PT-MS) e o deputado federal Osmar Serraglio (PMDB-PR), respectivamente. Entretanto, ambos adotam uma linha de relativa independência, e a CPMI termina por direcionar suas investigações para o "mensalão", deixando praticamente de lado a investigação da corrupção nos Correios propriamente dita, que seria seu objetivo inicial.

O governo contra-ataca propondo na Câmara dos Deputados uma CPI para investigar o mensalão, mas generalizando seus objetivos para a investigação de todas as denúncias de suborno a parlamentares, aí incluídas as denúncias de compra de votos para a emenda da reeleição do então presidente Fernando Henrique Cardoso, durante seu primeiro mandato. Após muita disputa, as lideranças da Câmara e do Senado chegam a um acordo para sua instalação como uma Comissão Mista, o que ocorre finalmente no dia 20 de julho, com o nome oficial de "CPMI da Compra de Votos", e tendo como fato determinante, de acordo com sua ata de abertura, "apurar as denúncias de recebimento de quaisquer vantagens patrimoniais e/ou pecuniárias indevidas por membros do Congresso Nacional, com a finalidade de aprovar as matérias de interesse do Poder Executivo e, as acusações do mesmo teor nas deliberações da Proposta de Emenda à Constituição nº 01/1995, que dispõe sobre a reeleição para mandatos executivos".

Mais uma vez, o governo consegue colar aliados nos principais cargos. Para presidente é escolhido o senador Amir Lando (PMDB-RO) e, para relator, o deputado federal Ibrahim Abi-Ackel (PP-MG). Abi-Ackel foi ministro da Justiça no governo Figueiredo, época em que foi acusado de envolvimento no "escândalo das jóias", acusação que depois revelou-se falsa, pelo que foi então inocentado.

[Editar]

Principais envolvidos no escândalo

Abaixo, alguns dos principais personagens da crise.

[Editar]

Do PT

  1. José Dirceu, acusado por Jefferson de ser o "mandante" e o "cérebro do maior sistema de corrupção da história da República", nega categoricamente as acusações, afirmando desconhecer totalmente o esquema de empréstimos e pagamento de deputados. Demitiu-se do cargo de Ministro Chefe da Casa Civil, reocupando seu mandato de Deputado Federal e passando a dedicar-se totalmente à sua defesa no processo de cassação por quebra de decoro parlamentar contra ele aberto na Comissão de Ética da Câmara dos Deputados.
  2. José Genoíno, ex-presidente do PT. Denunciado por utilizar Marcos Valério como fiador de empréstimos ao PT junto aos bancos do Brasil, Banco Rural e BMG. Também paira sobre ele a suspeita dos doláres apreendidos na cueca do assessor de seu irmão, o deputado José Guimarães. Renunciou à presidência do PT após o escândalo.
  3. Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, assumiu para si a responsabilidade de arquitetar e executar o esquema de financiamento ilegal do PT e outros partidos aliados juntamente com Marcos Valério. Segundo Delúbio, nem a direção do PT, nem o ministro José Dirceu estariam cientes da origem dos recursos conseguidos através de Marcos Valério, recursos estes que seriam pagos posteriormente pelo PT e que se destinariam ao pagamento de despesas "não contabilizadas" das campanhas eleitorais de 2002 e 2004, tanto do PT quanto de partidos aliados. Essa versão foi endossada por Valério. Afastou-se do cargo após as denúncias.
  4. Marcelo Sereno, ex-secretário de Comunicações do PT. Demitiu-se após o escândalo.
  5. Silvio Pereira, ex-secretário Geral do PT, foi responsável, junto com Delúbio e Sereno, pelo saque de R$ 4.932.467,12 nas contas das empresas de Valério. Durante as investigações, foi acusado de corrupção por ter ganhado uma Land Rover de uma empresa privada, em troca de suposto tráfico de influência na estatal Petrobrás.
  6. João Paulo Cunha (PT-SP) - Ex-presidente da Câmara. Sua mulher foi flagrada entre as pessoas que visitaram ao Banco Rural em Brasília. Sua explicação inicial à CPI dos Correios dizia que ela tinha ido ao banco apenas para pagar uma conta de TV a cabo. Depois veio a confirmação de que ela sacara R$ 50 mil. Discretamente, Cunha retirou a carta da CPI. Depois, os extratos do Rural confirmaram que ela recebeu R$ 200 mil. Questionado, João Paulo Cunha diz que os repasses de Marcos Valério seriam "oportunamente justificados".
  7. Paulo Rocha (PT-PA) - Ex-líder do PT na Câmara. Detectaram uma assessora sua entre as pessoas que foram ao Banco Rural. Com a confirmação dos saques (no valor de R$ 920 mil), renunciou à liderança do partido.
  8. Professor Luizinho (PT-SP) - ex-líder do governo na Câmara, teve um assessor que recebeu R$ 20 mil de Marcos Valério.
  9. José Mentor (PT-SP) - teve atuação polêmica como relator da CPI do Banestado, quando fez sumir, inexplicavelmente, as menções ao Banco Rural no relatório final da CPI. Seu escritório de advocacia recebeu R$ 60 mil de uma conta do Banco Rural cujo titular era uma empresa de Marcos Valério.
  10. José Nobre Guimarães (PT-CE) - irmão de José Genuíno, teve seu assessor flagrado com US$ 100.000,00 na cueca, além de R$ 200.000,00 na mala. O deputado Guimarães também é acusado do recebimento de R$ 250.000,00 das contas de Marcos Valério.
  11. José Adalberto Vieira da Silva (PT-CE), preso pela Polícia Federal com US$ 100.000,00 na cueca, assessor do deputado José Nobre Guimarães.
  12. Josias Gomes (PT - BA) - suspeito de retirar, pessoalmente, a quantia de R$ 100 mil das contas de Marcos Valério.
  13. Luiz Gushiken, ex-dirigente da SECOM (Secretária de Comunicação, até então com status de ministério), que indicava dirigentes para os fundos de pensão. Acusado de favorecimento de uma corretora de seus ex-sócios, ligada aos fundos de pensão, que teve crescimento inexplicável após a posse do governo Lula. Os fundos de pensão também são acusados de favorecimento suspeito ao BMG e ao Banco Rural (bancos utilizados por Marcos Valério) na aplicação de seus recursos.
  14. Rogério Buratti - trabalhou como secretário na prefeitura de Ribeirão Preto, durante a administração do prefeito Antonio Palocci (atual ministro da Fazenda). Foi também assessor do deputado José Dirceu na década de 1980. Em busca do benefício da delação premiada, Buratti acusou o ministro da Fazenda de participar, quando era prefeito, de um esquema de corrupção em que era cobrado um "mensalão" de R$ 50 mil pela prefeitura da cidade junto às empresas prestadoras do serviço de coleta de lixo. O dinheiro seria enviado ao Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), e entregue ao então tesoureiro do partido Delúbio Soares. O ministro da Fazenda negou veementemente as acusações e disse que nunca houve semelhante operação enquanto era prefeito. O Ministério Público, que investiga o caso, disse que há indícios de que houve irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto, contudo informou que não há ainda provas que demonstrem o envolvimento de Palocci.

[Editar]

Da base aliada

Entenda-se por "base aliada" os partidos que davam sustentação política ao PT, antes do início do escândalo: PTB, PP, PL e PMDB.

  1. Roberto Jefferson (PTB-RJ), que deu origem ao escândalo quando denunciou a prática do Mensalão. Acusado de operar um esquema de arrecadação de "contribuições eleitorais" de fornecedores de estatais como os Correios, o IRB e Furnas. Também é acusado de crime eleitoral, quando recebeu de R$ 4 milhões diretamente das mãos de Marcos Valério (enviado de José Dirceu) para o PTB, numa operação não declarada à Justiça Eleitoral.
  2. José Carlos Martinez (PTB-PR), deputado já falecido. Acusado de ter recebido R$ 1.000.000,00
  3. Romeu Queiroz (PTB-MG). Acusado de ter recebido R$ 350.000,00
  4. José Janene (PP-PR) - citado por Jefferson desde o início, era acusado de distribuir o Mensalão para a bancada do PP. Seu envolvimento foi comprovado pelo depoimento de seu assessor João Cláudio Genu à Polícia Federal, que confessou fazer os saques e entregar o dinheiro à tesouraria do PP.
  5. Pedro Corrêa (PP-PE) - presidente do PP, também foi denunciado por Jefferson e incriminado por Genu.
  6. Pedro Henry (PP-MT) - Ex-líder da Câmara, também foi implicado pelo depoimento de Genu.
  7. José Borba (PMDB-PR) - Ex-lider do PMDB na Câmara. É acusado pela diretora financeira da SMPB de ter recebido R$ 2,1 milhões, mas de ter se recusado a assinar o comprovante de saque (obrigando-a a ir até a agência do banco para liberar o pagamento).
  8. Valdemar Costa Neto (PL-SP)- acusado de ser o distribuidor do Mensalão para a bancada do PL. Seu ex-tesoureiro, Jacinto Lamas, é acusado de ser o maior beneficiário dos saques das contas de Marcos Valério no Banco Rural, recebendo R$ 10.837.500,00. Para evitar o processo de cassação, o deputado renunciou às pressas, antes que fosse aberto inquérito contra ele.
  9. Bispo Rodrigues (PL-RJ) - coordenava a bancada da Igreja Universal do Reino de Deus na Câmara. Teria recebido R$ 150 mil. Foi defenestrado pela sua igreja.
  10. Anderson Adauto (PL-MG) - o ex-ministro dos transportes recebeu, por intermédio de seu chefe de gabinete, o valor de R$ 1.000.000,00 de Marcos Valério.

[Editar]

Outros

  1. Marcos Valério, empresário, sem partido. Sendo o "operador do Mensalão", está sendo acusado de diversos crimes de ordem política, financeira, criminal, eleitoral e fiscal. Além de seu envolvimento atual com o PT e o "mensalão", revelou que manteve um esquema semelhante em 1998 envolvendo o PSDB: naquele ano, através de empréstimos bancários avalizados pelos contratos de publicidade que mantinha com o governo mineiro, financiou as campanhas de diversos candidatos tucanos, entre os quais o senador Eduardo Azeredo, candidato ao governo de Minas Gerais, e que tinha, como candidato a vice-governador, Clésio Andrade, então sócio de Valério na SMP&B.
  2. Eduardo Azeredo (PSDB-MG). Não é acusado de envolvimento direto com o Mensalão, mas é acusado de recebimento de recursos de Marcos Valério para compor o "caixa 2" de sua campanha eleitoral ao Governo de Minas em 1998.
  3. Roberto Brant (PFL-MG). Deputado mineiro do PFL, foi um dos que receberam recursos das empresas de Valério. Chamou a atenção o fato do deputado Brant, de um partido de oposição ao governo, ser identificado como um dos que receberam dinheiro de Valério. Brant argumentou que o dinheiro que recebeu teria sido contribuição de campanha da empresa Usiminas, a qual não havia sido declarada como um de seus doadores oficiais. Valério desmentiu o deputado e a Usiminas não se manifestou.
  4. Duda Mendonça, publicitário responsável pela campanha eleitoral de Lula. Sua sócia, Zilmar da Silveira, aparece como beneficiário de Marcos Valério, tendo recebido dela R$ 15.500.000,00.
  5. Fernanda Karina Somaggio, secretária de Marcos Valério. Teve sua agenda apreendida pela Polícia Federal. Confirma o envolvimento de Valério com Delúbio Soares e com diversos deputados acusados posteriormente de envolvimento com o esquema de corrupção. Denunciou também que os pagamentos eram feitos em malas de dinheiro.
  6. Renilda Soares, esposa de Valério. Não acrescentou muito às investigações, mas denunciou que José Dirceu tinha pleno conhecimento do esquema de corrupção de Valério, e que tudo era feito com a sua anuência.
  7. Toninho da Barcelona ou Antonio Oliveira Claramunt. Um dos principais doleiros brasileiros, preso e condenado por realizar operações financeiras ilegais. Ouvido informalmente por alguns parlamentares da CPMI dos Correios, ele alegou que fez várias operações de câmbio para o Partido dos Trabalhadores (PT) e outros partidos. Segundo o doleiro, o PT mantinha uma conta clandestina no exterior no Trade Link Bank, offshore vinculada ao Banco Rural; o caixa do partido vivia cheio de dólares; em 2002, durante a eleição para presidente, o doleiro fazia operações quase diárias de troca de dólares, com valores entre 30 mil e 50 mil dólares, no gabinete do então vereador Devanir Ribeiro; e a corretora Bônus-Banval, de São Paulo era usada para lavagem de dinheiro e outras operações escusas.
  8. Daniel Dantas, empresário, dono do grupo financeiro Opportunity. Teria praticado tráfico de influência, com a ajuda de Marcos Valério, para que seu grupo fosse favorecido na disputa pelo controle da Brasil Telecom, travada contra o fundo de pensão Previ e o Citibank. Dantas foi condenado em primeira instância pela justiça dos Estados Unidos por práticas que ferem os interesses de acionistas minoritários. Correm contra ele também processos por ter efetuado escutas ilegais em políticos ligados ao então candidato a presidente Luis Inácio Lula da Silva, contratadas junto à empresa Kroll.

[Editar]

Em Portugal

  1. Antonio Mexia - ex-Ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações de Portugal. Disse numa entrevista para o jornal Expresso, publicada em 16 de julho de 2005, que recebeu o empresário brasileiro Marcos Valério em Janeiro de 2005 como "consultor do Presidente do Brasil", a pedido de Miguel Horta e Costa, Presidente da Portugal Telecom. Em 4 de agosto, após ter tido uma conversa com o embaixador brasileiro em Portugal, Mexia diz que recebeu Valério apenas como um empresário brasileiro e que ele não se apresentara como representante do governo brasileiro.
  2. Miguel Horta e Costa - Presidente da Portugal Telecom. Admite que Marcos Valério já foi recebido pela Portugal Telecom para tratar de negócios envolvendo a empresa Telemig Celular. Ele nega a existência de qualquer negócio escuso com o empresário brasileiro. A Portugal Telecom nega ter havido um encontro com Marcos Valério e Emerson Palmieri nos dias 24, 25 e 26 de janeiro de 2005, em Lisboa. A empresa "assegura que nunca participou de qualquer encontro com o objectivo de discutir ou negociar operações que envolvessem o financiamento de partidos políticos brasileiros."

[Editar]

Principais empresas envolvidas

Principais empresas ou instituições financeiras envolvidas no escândalo.

[Editar]

Brasil

[Editar]

Empresas estatais

O deputado Roberto Jefferson disse que parte do dinheiro do mensalão vinha de empresas estatais, entre elas, Furnas, Eletronuclear, Petrobras, Instituto de Resseguros do Brasil (IRB) e Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT).

  • Furnas: Segundo o deputado, Furnas repassou R$ 3 milhões por mês ao Partido dos Trabalhadores (PT) e seus aliados,
  • Eletronuclear: O presidente da empresa Paulo Figueiredo (indicado pelo PCdoB, aliado do PT) e o ex-assessor do ministro José Dirceu e ex-secretário de Comunicação do PT Marcelo Sereno são suspeitos de terem manipulado os fundos de pensão da estatal para desviar dinheiro ao PT.
  • Petrobras: Segundo o deputado Roberto Jefferson, foi uma das principais empresas usadas pelo PT para desviar recursos para o partido. Em 5 de julho de 2005 o secretário-geral do PT Silvio Pereira renunciou a seu cargo porque foi descoberto que ele recebeu de presente um automóvel Land Rover da empresa GDK, vencedora de uma licitação de U$ 90 milhões junto à Petrobras.
  • Instituto de Resseguros do Brasil (IRB): segundo Roberto Jefferson Marcos Valério articulou um encontro com representantes da Portugal Telecom, ligada ao Banco Espírito Santo (BES). Nesse encontro ficou decidida a transferência de U$ 600 milhões do IRB ao BES e que este compraria as linhas de transmissão da estatal Eletronorte. De acordo com o deputado, a operação renderia até R$ 120 milhões para o PT e o PTB. O próprio Jefferson foi acusado de interferir junto ao IRB para arrecadar fundos para seu partido, o PTB. Jefferson admitiu a manobra, contudo disse que ela foi legal e que as doações seriam registradas legalmente e feitas por empresários indicados pelo então presidente do IRB.
  • Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (EBCT): Inicialmente o deputado Roberto Jefferson foi acusado de comandar um esquema de corrupção nos Correios. Jefferson admitiu a existência de um esquema de corrupção, mas alegou que ele era controlado pelo PT. Em depoimento para a CPI dos Correios, Maurício Marinho, que foi chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material da estatal, citou os nomes do então secretário-geral do PT, Sílvio Pereira e do então ministro Luiz Gushiken, como as pessoas que teriam influência na administração da empresa, e que deveriam ser responsabilizadas por alguns contratos realizados pela estatal.

[Editar]

Fundos de pensão

Os fundos de pensão das empresas estatais são suspeitos de terem sido usados em operações para arrecadar dinheiro para o caixa 2 do Partido dos Trabalhadores (PT). Uma análise em alguns dos fundos de pensão revelou que eles foram administrados de forma "imprudente" e que tiveram um desempenho bastante inferior, quando comparado ao de outros fundos de pensão.

  • Previ
  • Nucleos: O representante dos funcionários no Conselho Deliberativo do Nucleos, Neildo de Souza Jorge (PT), acusou o ex-secretário de Comunicação do PT e ex-assessor do ex-ministro José Dirceu, Marcelo Sereno, de usar os fundos de pensão Nucleos para arrecadar dinheiro para o partido. O patrimõnio total do fundo Nucleos é de R$ 461,4 milhões (dezembro de 2004). Foram investidos de modo equivocado em 2004, R$ 97,48 milhões no fundo exclusivo Zircônio que acumulou 21,66% de perdas no ano. O fundo exclusivo Titânio de R$ 28 milhões terminou o ano de 2004 com uma valorização de 1,75%, considerada muito abaixo do valor normal de mercado.

[Editar]

Empresas de comunicação
  • O Globo: segundo o deputado Roberto Jefferson, o jornal O Globo produziu reportagens de veracidade e parcialidade duvidosa com o intuito de favorecer o governo. O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu supostamente tinha influência na redacção do jornal.
  • Revista Época: a Revista Época faz parte do mesmo grupo de O Globo e também foi acusada de trabalhar para o governo.

[Editar]

Empresas privadas
  • Ágora, Alexander Forbes, Assurê Seguros, Coopergay: O relatório da comissão de sindicância interna do IRB relatou que o ex-presidente da estatal Lídio Duarte e o ex-diretor comercial Eduardo Lucena executaram operações atípicas que favoreceram essas corretoras. A Assurê pertence a Henrique Brandão, amigo do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). [1], [2]
  • Athenas Trading: segundo o relator da CPI dos Correios esta empresa enviou milhares de dólares para o exterior, em operações suspeitas de servirem para lavagem de dinheiro. [3]
  • Barcelona Turismo: empresa do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona. Usada para operações de envio e recebimento de dólares do exterior.
  • Bônus-Banval: corretora suspeita de fazer parte do esquema de distribuição de dinheiro operado pelo empresário Marcos Valério. A corretora efetuou pagamentos a pessoas indicadas por Valério. [4], [5]
  • Brasil Telecom: o ex-presidente da Casa da Moeda, Manoel Severino dos Santos, disse para a CPI da Compra de Votos que Marcos Valério tinha ações e poder para interferir na empresa. A Brasil Telecom é a principal empresa de telecomunicações das regiões Sul, Centro-Oeste e dos Estados do Acre, Rondônia e Tocantins.. [6], [7]
  • Comam: Comercial Alvorada de Manufaturados, empresa de Arthur Wascheck, que fornecia material de saúde e informática para os Correios. Waschek foi quem mandou gravar a fita em que aparece o ex-chefe do Departamento de Contratação e Administração de Material dos Correios Maurício Marinho recebendo R$ 3 mil. A empresa foi suspeita de ter sido favorecida em contratos atípicos com os Correios. [9], [10]
  • Consórcio Alfa: Em 22 de junho, em depoimento para a CPI dos Correios, o ex-chefe de departamento dos Correios Maurício Marinho colocou sob suspeita um grande contrato firmado em 2004 entre os Correios e o Consórcio Alfa, do qual fazem parte as empresas Novadata e Positivo. Os contratos, da ordem de R$ 120 milhões eram para a aquisição de kits para o Banco Postal e o Projeto Sara (Seviço de Automação da Rede de Atendimento).
  • Consórcio Postel: consórcio de empresas brasileiras montado pela empresa italiana Postel. Há indícios de que houve superfaturamento de mais de R$ 2 bilhões no processo de implantação do Correio Híbrido (sistema de recebimento eletrônico e impressão de dados) dos Correios. O consórcio da Postel venceu a licitação para o serviço no valor de R$ 4,5 bilhões, oferecendo mais tarde um desconto de 3%, totalizando R$ 4,3 bilhões. O preço médio de mercado pelo mesmo serviço é de R$ 1,3 bilhão. A negociação seria de responsabilidade dos ex-diretores Eduardo Medeiros de Morais (Tecnologia) e Maurício Coelho Madureira (Operações), ambos indicados pelo Partido dos Trabalhadores. A suspeita foi levantada por Maurício Marinho durante depoimento para a CPI dos Correios em 21 de junho.
  • CPA: Consultoria, Planejamento e Assessoria. A empresa foi acusada pela CPI da Câmara Municipal de [[Iturama|]], em Minas Gerais de participar de um esquema de desvio de verbas da prefeitura da cidade, em 1996. O ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto (PL) é amigo e ex-sócio dos donos da CPA: Sérgio José de Souza e Rômulo de Souza Figueiredo os quais são suspeitos das irregularidades. A empresa contribuiu para a campanha política de Adauto. Marcos Valério contou que repassou R$ 1 milhão para Anderson Adauto entre junho de 2003 e janeiro de 2004. José Luiz Alves, assessor de Adauto e atual prefeito de Uberaba, disse para a CPI do Mensalão, em 5 de outubro de 2005, que a pedido de Adauto sacou dinheiro do Banco Rural das contas de Marcos Valério duas vezes, totalizando R$ 200 mil. [11], [12], [13], [14], [15], [16]
  • CPEM: Consultoria para Empresas e Municípios. A empresa é ligada ao compadre de Luiz Inácio Lula da Silva, Roberto Teixeira (que também é padrinho do filho mais novo de Lula). O economista e integrante do Partido dos Trabalhadores (PT) de longa data, Paulo de Tarso Venceslau, disse que em 1997 acusou as prefeituras do PT de beneficiarem irregularmente a empresa CPEM. Estariam envolvidos no escândalo a cúpula do PT e o então presidente de honra Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Venceslau, o partido realizou uma sindicância interna, absolveu a cúpula e expulsou ele próprio, o autor da denúncia. [17],[18],[19], [20]
  • Duda Mendonça & Associados Propaganda
  • DNA: empresa de Marcos Valério.
  • Esfort Trading
  • Express: empresa de cobrança e factoring
  • Gamecorp: empresa de Fábio Luís Inácio Lula da Silva, filho do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela recebeu em janeiro de 2005, investimento da ordem de R$ 5 milhões da empresa de telefonia Telemar, e teve uma ascensão surpreendente fora do padrão do mercado.
  • Globalprev: se chamava Gushiken & Associados até que um dos sócios, Luiz Gushiken saiu no final de 2002. A empresa registrou um crescimento surpreendente depois que Guhiken assumiu o cargo de ministro. [21]
  • Graffiti: empresa de Marcos Valério.
  • Guaranhuns (não confundir com Garanhuns, nome da cidade natal de Lula): Sabe-se até o momento que a empresa Guaranhuns Empreendimentos e Participações S/C Ltda, localizada em Santana do Parnaíba (SP) recebeu cheques nominais no valor de R$ 2,2 milhões da agência SMP&B, do publicitário Marcos Valério e que ela sacou mais de R$ 7 milhões no Banco Rural, de uma conta usada pela SMP&B. As autoridades suspeitam que a empresa é de fachada e que foi usada para a acessar de maneira ilegal recursos financeiros armazenados no exterior. Suspeita-se ainda que um de seus sócios ocultos seria Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-diretor do Banco do Brasil e ex-tesoureiro do PSDB, que ficou conhecido, durante o processo de privatizações das telecomunicações levadas a cabo no governo de Fernando Henrique Cardoso, por ser o suposto autor da célebre frase "Estamos agindo no limite da irresponsabilidade". Por conta dessa suspeita, Ricardo Sérgio foi convocado recentemente para ser ouvido na CPMI dos Correios.
  • HHP: Hand Held Products Brasil Ltda. O ex-chefe de Contratação e Administração dos Correios Maurício Marinho disse para o Ministério Público que a empresa foi favorecida pelo então secretário-geral do PT Sílvio Pereira para que ela vencesse contratos para a compra de docas, impressoras portáteis e microcoletores de dados. Segundo Marinho, teria tomado parte nessa operação Edilberto Petry, assessor do ex-diretor de Ciência e Tecnologia dos Correios Eduardo Medeiros, indicado por Pereira. [22]
  • Interbrazil: seguradora
  • Leão & Leão: seviço de coleta de lixo
  • M&M
  • Marfinite
  • Multiaction
  • Norospar
  • Novadata: A Novadata, é uma empresa de informática que pertence ao empresário Mauro Dutra, que tem ligações com o Partido dos Trabalhadores. Suspeita de ter sido beneficiada com grandes contratos com a empresa de Correios. Ver Consórcio Alfa.
  • Qualix Serviços Ambientais: seviço de coleta de lixo
  • Reman Segurança Privada: teve o contrato renovado um dia depois de a Polícia Federal realizar a Operação Sentinela
  • Scopus: empresa do Bradesco
  • Skymaster
  • SMP&B: empresa de Marcos Valério.
  • TBA Informática
  • Transbrasil
  • Unisys
  • VARIG: citada pelo deputado Roberto Jefferson durante um de seus depoimentos para uma das comissões parlamentares de inquérito. O deputado deixou a entender que pode ter havido interferência escusa de alguém do governo (do alto ou do baixo escalão) durante negociação entre a empresa brasileira VARIG e portuguesa TAP. A VARIG é a maior empresa de transporte aéreo da América Latina.
  • Vega Serviços Ambientais, seviço de coleta de lixo
  • Villimpress, gráfica de Ribeirão Preto

[Editar]

Instituições Financeiras
  • Banco Rural e BMG - bancos utilizados por Marcos Valério para suas operações. Também são os bancos que fizeram os supostos empréstimos ao PT, intermediados por Marcos Valério. Sobre esses bancos, pairam suspeitas de benefícios indevidos por parte de políticas do governo, que teria direcionado a eles recursos milionários de fundos de pensão (caso do Banco Rural), além de ter dado uma preferência inexplicada ao BMG na concessão de licença para obtenção de crédito vinculado ao INSS. De fato, o patrimônio e os recursos aplicados destes bancos septuplicou durante o governo Lula.
  • Banco do Brasil: também usado por Marcos Valério para suas operações.
  • Opportunity: grupo financeiro de Daniel Dantas, envolvido em uma polêmica disputa societária com o fundo de pensão Previ, do Banco do Brasil, pelo controle da operadora de telefonia Brasil Telecom. Marcos Valério teria sido contatado pelo Opportunity através de Carlos Rodenburg, alto executivo do grupo, para intervir junto ao governo em prol de uma resolução do conflito societário favorável ao Opportunity.

[Editar]

Portugal

  • Portugal Telecom: segundo o deputado Roberto Jefferson, seguindo sugestão do então Ministro da Casa Civil José Dirceu, o secretário do PTB Emerson Palmieri deveria testemunhar uma reunião entre o empresário Marcos Valério com Miguel Horta Costa, presidente da Portugal Telecom, durante a qual seriam pedidos recursos financeiros para o PT e PTB. Dirceu, Valério e Horta negaram essa reunião. O secretário do PTB confirmou.
  • TAP: ver "VARIG" acima.
  • Banco Espírito Santo: ver "Instituto de Resseguros do Brasil (IRB)" acima.
  • Somague: grupo português de construção civil, suspeito de ter sido beneficiado por um suposto tráfico de influência praticado por Rogério Tadeu Buratti, ex-assessor do ministro da Fazenda Antonio Palocci. Buratti disse que as negociações foram normais e negou a acusação de tráfico de influência. O Ministério da Fazenda num primeiro momento negou o encontro com a empresa portuguesa, mas depois voltou atrás e admitiu que recebeu um representante da mesma, numa audiência considerada normal.

[Editar]

Estados Unidos da América

  • Banco Beacon Hill: usado por Marcos Valério para suas operações.

[Editar]

Coincidências entre saques e votações

Documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) mostram que entre julho e maio de 2003 foram feitos saques no valor de R$ 27 milhões das contas das empresas de Marcos Valério, a maior parte do através do Banco Rural.

Segundo o deputado Roberto Jefferson, o dinheiro do suposto mensalão vinha do Banco Rural e do Banco do Brasil (a maior parte). Documentos do Coaf, do Banco Rural e da empresa do próprio Marcos Valério já confirmaram os saques do Banco Rural. Os supostos saques do Banco do Brasil ainda não foram rastreados.

Na tabela abaixo estão colocados lado a lado, a descrição de alguns dos saques e de algumas das principais votações no Congresso e Senado Federal Brasileiro.

Saques no Banco Rural e Votações do Legislativo

Votação

Saque

Reforma tributária aprovada na Câmara em 24 de setembro de 2003

R$ 1,212 milhão em 23, 25 e 26 de setembro de 2003


Reforma tributária modificada no Senado em 17 de dezembro de 2003

R$ 470 mil em 17 e 19 de dezembro de 2003


Medida Provisória (MP) do Salário mínimo aprovada na Câmara em 2 de junho de 2004

R$ 500 mil


MP do salário mínimo aprovada em 23 de junho de 2004 na Câmara após passar pelo Senado

R$ 200 mil


Status de ministro para o presidente do Banco Central em 1 de dezembro de 2004 (Câmara)

R$ 480 mil em 29 e 30 de novembro de 2004


MP dos Bingos aprovada em 30 de março de 2004 (Câmara)

R$ 200 mil em 29 de março de 2004


Reforma da Previdência aprovada (primeiro turno, Câmara) em 5 de agosto de 2003

R$ 200 mil em 6 de agosto de 2003


Reforma da Previdência aprovada (segundo turno, Câmara) em 27 de agosto de 2003

R$ 200 mil entre 25 e 26 de agosto de 2003


Reforma da Previdência aprovada (Senado) em 26 de novembro de 2003

R$ 400 mil em 26 e 27 de novembro de 2003


Reforma da Previdência aprovada (Senado, segundo turno) em 11 de dezembro 2003

R$ 120 mil em 10 de dezembro de 2003


Fonte:Reuters.

  • A prática do mensalão e das doações irregulares de campanha acabaram por causar reflexos também nas eleições municipais de 2004 onde vários candidatos petistas e dos partidos da base aliada foram municiados de recursos ilegais para a campanha. Um exemplo claro foi o que aconteceu na cidade de Santana do Paraíso, onde o prefeito eleito pelo PT recebeu o apoio financeiro da campanha do deputado federal João Magno (PT), que concorria na cidade vizinha de Ipatinga. João Magno é acusado de receber repasses do Mensalão e poderá ser cassado pelo Conselho de Ética da Câmara do Deputados.

[Editar]

Desdobramentos

[Editar]

Dia-a-dia da crise

[Editar]

Junho

  • No dia 8 de junho (dois dias após a divulgação do mensalão por Jefferson), é instalada uma CPI para investigar a corrupção nos Correios, que se iniciaria com o depoimento de Roberto Jefferson, o que resultaria na investigação da prática do mensalão também;
  • No mesmo dia, Delúbio Soares, durante uma entrevista coletiva, nega as denúncias de que pagava o mensalão e se disse disposto a abrir seu sigilo fiscal, bem como o sigilo bancário de suas contas pessoais;
  • No dia 14 de junho, novo depoimento de Roberto Jefferson, desta vez ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados. O parlamentar diz que havia comunicado a existência do mensalão aos ministros Aldo Rebelo, Walfrido Mares Guia, Ciro Gomes, Miro Teixeira, José Dirceu e Antônio Palocci. Estes dois últimos negam, mas os quatro primeiros confirmam que haviam tomado conhecimento do esquema. Roberto Jefferson demanda, ainda, que José Dirceu saia do governo "rapidinho";
  • No dia 16 de junho, Dirceu renuncia ao Ministério da Casa Civil. Dirceu, tido por seus opositores com o Rasputin do Palácio do Planalto, era considerado o homem-forte do governo, o integrante do PT com maior influência sobre o presidente Lula;
  • No dia 17 de junho Roberto Jefferson se licencia da presidência do PTB;
  • No dia 22 de junho a deputada goiana licenciada Raquel Teixeira confirma para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados que em 18 de fevereiro de 2004 recebeu do deputado Sandro Mabel (PL-GO) uma proposta de mesada para mudar de partido e apoiar o governo. Segundo Raquel, o oferta era de R$ 30 mil por mês - que poderia ser aumentada para R$ 50 mil - além de R$ 1 milhão de "bônus" concedido no final do ano. Ela disse que na época denunciou o caso para o governador de Goiás Marconi Perillo[23].
  • No dia 22 de junho o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) envia uma fax para o Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados no qual alega que no dia 5 de março de 2004, durante visita oficial do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva às instalações da fábrica da Perdigão em Rio Verde, avisara-o sobre uma proposta de mesada recebida pela deputada goiana licenciada Raquel Teixeira (PSDB)[24].

[Editar]

Julho

  • No dia 4 de julho, é publicado na imprensa um documento que liga definitivamente Marcos Valério ao PT: um empréstimo bancário de R$ 2,4 milhões em que Valério é avalista (e chega a pagar do bolso a primeira parcela de R$ 300 mil). O documento estava assinado por Delúbio e pelo presidente do PT, José Genoíno;
  • No mesmo dia, Silvio Pereira, o Silvinho, afasta-se do cargo de secretário-geral do PT, face às acusações de Roberto Jefferson de que era o "gerente do mensalão";
  • No dia 5 de julho, Delúbio Soares licencia-se do cargo de tesoureiro do PT;
  • No mesmo dia, José Borba (líder do PMDB) afirma em documento que Marcos Valério participava diretamente da nomeação de diretores para cargos públicos estratégicos (diretorias de estatais), ainda que ele não tivesse nenhum cargo público. O fato seria posteriormente negado por Marcos Valério;
  • No dia 6 de julho, revela-se que Marcos Valério movimentou mais de R$ 800 milhões em suas contas bancárias, nos últimos três anos;
  • No mesmo dia, Marcos Valério presta depoimento à CPI, negando as denúncias de que tivesse praticado qualquer ato ilegal. Seu depoimento é considerado pouco convincente pelo meio parlamentar e pelos analistas políticos, sobretudo porque feito sob o amparo de um habeas corpus preventivo concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que o eximiu de prestar compromisso de dizer apenas a verdade;
  • No dia 7 de julho, é revelado um empréstimo de R$ 20 milhões do Banco do Brasil ao PT, sem que o contrato tivesse avalistas ou garantias em bens imóveis. A CPI passa a investigar uma suposta "facilidade" de acesso ao crédito do BB pelo PT, que seria resultante do aparelhamento da diretoria do banco por membros do partido;
  • No mesmo dia, são quebrados os sigilos bancário, postal e telefônico de Roberto Jefferson, Delúbio Soares, José Genoíno e José Dirceu;
  • No dia 8 de julho, José Adalberto Vieira da Silva, assessor de José Nobre Guimarães (que, por sua vez, é irmão de José Genoíno) é preso pela Polícia Federal, no Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos/SP, com R$ 200 mil reais em dinheiro numa mala, e US$ 100 mil na cueca. No dia seguinte, José Genoíno pede demissão da presidência do PT e José Adalberto perde o cargo de assessor. O fato vira motivo de piadas, entrando desde logo para o folclore político nacional;
  • No dia 12 de julho, Lula finaliza uma reforma ministerial ampla, que inclui a retirada do status de ministro de Luiz Gushiken, titular da Secretaria de Comunicação de Governo e Gestão Estratégica (Secom) contra quem há suspeitas de relações espúrias com clientes de fundos de pensão sob seu comando;
  • No dia 14 de julho, cai o presidente da Agência Brasileira de Inteligência (ABIn), Mauro Marcelo, após divulgação de nota em que qualifica a CPI dos Correios de "picadeiro" e chama os integrantes da comissão de "bestas-feras".
  • No mesmo dia, Henrique Pizzolato, diretor de Marketing e Comunicação do Banco do Brasil, pede sua aposentadoria. Alguns dias antes, Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Marcos Valério, havia acusado o diretor de fazer parte do círculo de contatos que o empresário tinha no governo. Pizzolato já tinha sua imagem manchada por causa do patrocínio do BB a um espetáculo da dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano em uma churrascaria de Brasília/DF, em julho de 2004, pois a renda do evento foi revertida para a construção de uma nova sede do PT;
  • No dia 15 de julho, Marcos Valério afirma, em entrevista ao Jornal Nacional (Rede Globo), que os recursos e as movimentações suspeitas de suas contas bancárias seriam provenientes de empréstimos que seriam destinados ao PT, caracterizando um "caixa 2" do partido. A oposição suspeitou que esta fosse uma manobra diversionista de Valério e do PT, que estariam tentando reduzir suas irregularidades a crimes eleitorais (cujas penas são mais brandas na legislação brasileira). Alguns integrantes da CPI fazem alusão à chamada "Operação Uruguai" do governo Collor, em que justificavam a origem de grandes somas de dinheiro (incompatíveis com os rendimentos do presidente) como parte de um suposto empréstimo contraído no Uruguai. Posteriormente, descobriu-se que o referido empréstimo era fictício, sendo a Operação Uruguai apenas uma tentativa de lavar dinheiro, conforme elucidado durante a CPI do PC Farias. No dia 20 de julho, o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ) chama a suposta farsa de "Operação Paraguai", por se tratar de uma cópia da original, em alusão ao fato de que muitos produtos pirateados entram no Brasil via Paraguai. Neste mesmo dia o embaixador do Paraguai no Brasil, Luis González Arias, protesta com relação à forma pejorativa como seu país foi mencionado;
  • No dia 17 de julho, Delúbio Soares afirma, em entrevista à Rede Globo, que a única irregularidade que teria cometido foi aquela apontada dois dias antes por Marcos Valério.
  • No mesmo dia e no mesmo canal de televisão, vai ao ar entrevista concedida pelo presidente Lula quando de sua passagem por Paris. Os analistas políticos e a oposição suspeitam que estas duas entrevistas, bem como a de Marcos Valério, exibida anteriormente, teriam sido orquestradas, tendo em vista que o teor de todas elas apontam que o tesoureiro do PT seria o único culpado. Esta seria uma estratégia orientada por advogados para que os supostos crimes fossem tidos como de menor gravidade;
  • No dia 19 de julho, a quebra do sigilo bancário de Marcos Valério e de suas empresas traz à tona depósitos feitos a lideranças de diversos partidos, inclusive do PT: o então presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP) aparece como beneficiado por um saque de R$ 50 mil, em dinheiro, feito pela sua esposa. Até então, João Paulo dizia que ela tinha ido à agência do Banco Rural apenas para pagar uma conta de TV a cabo. Também são descobertos saques de R$ 320 mil feitos por Anita Leocádia, assessora do líder do PT na Câmara, Paulo Rocha (PT-BA), no valor de R$ 320 mil, bem como diversos outros saques por assessores de líderes do PT e da base aliada;
  • No mesmo dia, Silvio Pereira depõe na CPI dos Correios, contestando que tivesse toda a influência que lhe vem sendo atribuída quanto à indicação de pessoas e liberação de pagamentos por parte do governo e do PT. Amparado por habeas corpus concedido pelo STF, Sílvio Pereira nega-se a esclarecer a acusação de que teria ganho uma Land Rover, paga a vista feito por José Paulo, o qual é funcionário da GDK, presidida por César Oliveira, a quem Sílvio Pereira admite conhecer. Esta empresa ganhou, no ano de 2004, um contrato de R$ 90 milhões junto à Petrobras. Silvio Pereira, cujo salário como funcionário do PT é de R$ 9 mil, é acusado de ter renda incompatível com seu patrimônio, que inclui uma casa e uma cobertura em São Paulo, além de uma mansão em Ilhabela;
  • Ainda em 19 de julho, uma das correntes internas do PT, chamada de Alternativa Socialista, anuncia seu desligamento do partido e filiação ao PSOL, legenda ainda em formação. Não é nem a primeira nem a última ocorrência de políticos se desligarem de um partido supostamente envolvido ser seguida da filiação de outro que acreditem possuir postura mais correta, mas, foi o primeiro ato em grupo desse tipo.
  • No dia 20 de julho é instalada a CPI do Mensalão;

No mesmo dia, Delúbio Soares depõe na CPI dos Correios, também amparado por habeas corpus. Reiterando a entrevista concedida à Rede Globo, Delúbio disse que era o único culpado pelo "caixa dois" do PT, tendo preferido, contudo, usar o eufemismo "dinheiro não contabilizado";

[Editar]

Agosto

  • No dia 1 de agosto, ocorre a renúncia do deputado federal Valdemar Costa Neto, presidente do PL diretamente envolvido nas denúncias de Roberto Jefferson sobre recebimento do mensalão. Antes de renunciar admitiu ter recebido dinheiro indevidamente para pagar "dívidas" do partido.
  • Em 2 de agosto o Presidente nacional do PSDB, Eduardo Azeredo, confessa que sua campanha à reeleição do Governo do Estado de Minas Gerais manteve um "Caixa 2", tendo recebido dinheiro do esquema de Marcos Valério. Azeredo tentou minimizar o peso das acusações contra ele atribuindo-as à suposta tentativa do governo de desviar o foco das investigações da CPI dos Correios. Ele afirmou ainda que "eventuais irregularidades no processo eleitoral" não poderiam ser confundidas com "outra coisa, mais grave e hedionda", na sua opinião, que seria o pagamento de mesada a parlamentares para votarem em favor do governo 2.

Brasília - Presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe em audiência o presidente da Portugal Telecom, Miguel Antônio Igrejas Horta Costa, no Palácio do Planalto, em 19/08/2004. Foto Ricardo Stuckert/PR.

  • Em 2 de agosto, durante sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados, o deputado Roberto Jefferson, reafirma, na presença do ex-Ministro da Casa Civil e deputado federal José Dirceu, a denúncia sobre o mensalão e todas as acusações que havia feito anteriormente contra a cúpula do Partido dos Trabalhadores e José Dirceu. Como novidade, Roberto Jefferson diz que sob orientação de José Dirceu, em Janeiro de 2005, emissários do PT e do PTB foram a Portugal pedir dinheiro, que seria usado para saldar as dívidas dos dois partidos, à Portugal Telecom. Durante essa sessão, Dirceu também negou ter sido avisado pelo deputado federal Roberto Jefferson sobre o mensalão. O ex-ministro também negou as acusações de que ele seria o mentor intelectual do mensalão.
  • Em 3 de agosto a Presidência da República do Brasil "nega enfaticamente que Marcos Valério tenha sido, em qualquer momento, autorizado a apresentar-se como "consultor do Presidente do Brasil" junto ao governo português ou em qualquer outra situação".
  • Em 4 de agosto o ex-Ministro português de Obras Públicas, Transportes e Comunicações Antonio Mexia se encontra com o embaixador do Brasil em Portugal, Antônio Paes de Andrade. Mexia diz que teve "a oportunidade de manifestar ao senhor embaixador [do Brasil] o total repúdio à tentativa de envolvimento do seu nome, em questões de política interna do Brasil". [25]
  • Em 4 de agosto o ex-Ministro português de Obras Públicas, Transportes e Comunicações Antonio Mexia diz que Marcos Valério nunca se apresentou como representante do governo brasileiro. A declaração de Mexia aparentemente contradiz uma entrevista dada por ele para o jornal português Expresso, em 16 de julho de 2005. Na entrevista, segundo o jornal, Mexia teria dito que recebeu Valério como "consultor do Presidente do Brasil".
  • Em 4 de agosto a imprensa divulga a notícia de que a agenda oficial, da época em que José Dirceu era Ministro da Casa Civil, registra que ele e o empresário Marcos Valério encontraram-se com o presidente do banco accionista da Portugal Telecom, 13 dias antes da viagem do empresário brasileiro com o tesoureiro não oficial do PTB a Lisboa, para reunirem-se com diretores da Portugal Telecom.
  • Em 8 de agosto Marcos Valério distribui uma nota para a imprensa em que nega a versão apresentada por Roberto Jefferson e diz que sua viagem a Portugal foi para tratar negócios com a Portugal Telecom, relacionados com a empresa Telemig Celular. Valério diz que é muito amigo do secretário e tesoureiro informal do PTB Emerson Palmieri e que este acompanhou-o em sua viagem a Lisboa para "descansar" [27].
  • Em 11 de agosto, o publicitário Duda Mendonça depõe espontaneamente na CPMI dos Correios e acusa Marcos Valério de ter pedido para que ele abrisse uma conta num paraíso fiscal para receber o pagamento pelo seus serviços prestados ao PT nas campanhas de 2002 e 2004. O pagamento teria sido feito com dinheiro de Caixa Dois, o que comprometeria até mesmo a campanha do presidente Lula. Deputados do PT comunicam em plenário o seu desligamento da bancada petista.
  • Em 12 de agosto, a revista Época, número 378, traz uma entrevista com o ex-deputado Valdemar Costa Neto. Costa Neto diz, segundo a revista, que Lula e José Alencar sabiam sobre uma doação de R$ 10 milhões do PT para o PL formar uma aliança que resultaria na chapa que disputaria a eleição presidencial de 2002. A Presidência da República admite a negociação e afirma que ela foi uma negociação pública normal, sem nenhum irregularidade.
  • Em 12 de agosto, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em pronunciamento transmitido em cadeia de televisão diz: "eu não tenho nenhuma vergonha de dizer ao povo brasileiro que nós temos que pedir desculpas. O PT tem que pedir desculpas. O governo, onde errou, tem que pedir desculpas...". Sem citar nomes ele alega que foi "traído". [28]
  • Em 16 de agosto, o primeiro-secretário e tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri, alega para a CPI do Mensalão que viajou a Portugal na companhia de Marcos Valério para testemunhar uma reunião na Portugal Telecom, em que seria pedida ajuda financeira para o PT e PTB. Ele diz que não se considera amigo de Valério [29].
  • Em 16 de agosto, a CPI dos Correios ouve em São Paulo Antonio Oliveira Claramunt, o doleiro "Toninho da Barcelona", condenado a 25 anos de prisão por evasão de divisas. Toninho alega ter informações sobre movimentações financeiras no exterior feitas para políticos, pede proteção e uma redução de pena através do recurso da delação premiada.
  • Em 17 de agosto, a Executiva Nacional do Partido dos Trabalhadores torna pública uma nota em que "pede desculpas" ao povo brasileiro. Segundo a nota:"os atos que nos comprometem, moral e politicamente perante os brasileiros, foram cometidos por dirigentes do PT, sem o conhecimento de suas instâncias"[30].
  • Em 19 de agosto, Buratti faz acordo com autoridades e revela suposto esquema de recebimento de dinheiro "por fora" de diversas prefeituras do interior de Minas Gerais e São Paulo. Na parte mais explosiva de suas denúncias envolve o Ministro da Fazenda Antonio Palocci, que foi prefeito (1993-1996) de Ribeirão Preto e acusa-o de receber 50 mil reais de empresas de coleta de lixo.
  • Em 20 de agosto, a revista Veja, edição 1919, datada de 24 de agosto de 2005, traz as denúncias de Rogério Tadeu Buratti e do doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona.
  • Ainda na edição 1919, datada de 24 de agosto de 2005, na secção "Lembra do dinheiro das FARC", a revista Veja recorda notícia que publicou em março de 2005, que dizia que agentes da Abin tinham investigado durante cerca de um ano uma suspeita de que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) fizeram uma contribuição de 5 milhões de dólares para a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002.
  • Em 21 de agosto, o Ministro da Fazenda Antonio Palocci faz um pronunciamento transmitido pela televisão em que nega "com veemência" todas as acusações feitas por seu ex-assessor Rogério Tadeu Buratti. O ministro desqualifica as gravações e os emails citados na edição 1919 da revista Veja, informação divulgada por outros meios de comunicação. Ele nega ter tido contato com empresários agendados por Buratti.
  • Em 23 de agosto o advogado de Buratti alega que seu cliente está doente e não pode comparecer para prestar depoimento marcado pela CPI dos Bingos. A CPI ameaça enviar uma junta médica para avaliar Buratti.
  • Em 23 de agosto o ex-deputado e presidente do PL, Valdemar Costa Neto diz para a CPI dos Bingos que recebeu do tesoureiro do PT, em cheques da empresa de Marcos Valério, um total de R$ 6,5 milhões, em parcelas pagas durante 18 meses, até janeiro de 2005. Segundo Costa Neto, o dinheiro foi para pagar dívidas da campanha de Lula em São Paulo. Ele também diz que o acordo entre o PT e o PL foi normal e correto.
  • Em 24 de agosto, atendendo um pedido do governo da Colômbia, a Polícia Federal prende Francisco Antonio Cadenas Collazzos, representante das FARC. Colazzos participou em março de uma festa em Brasília com integrantes do PT e de outras legendas da esquerda. Segundo relatórios de agentes da Abin, Collazzos anunciou uma doação de 5 milhões de dólares das FARC para a campanha de Lula, em 2002. Essa informação foi desmentida enfaticamente pela direção da Abin e pelo governo, que comandou uma investigação e disse que não encontrou nada.
  • Em 25 de agosto Rogério Buratti presta depoimento para a CPI dos Bingos e confirma suas denúncias de irregularidades na prefeitura de Ribeirão Preto durante gestão do prefeito Antonio Palocci, atual ministro da Fazenda do Brasil.
  • Em 25 de agosto a Câmara dos Deputados concede a aposentadoria a Valdemar Costa Neto do cargo de deputado, atendendo a seu pedido. Com isso Valdemar passará a receber R$ 5.542 mensais até fim da vida, ou até que consiga se eleger novamente.
  • Em 30 de agosto Delúbio Soares, ex-tesoureiro do PT, envia à CPI do Mensalão uma carta envolvendo mais dois partidos no suposto esquema do Mensalão: PSB e PC do B.

[Editar]

Setembro

  • Em 1º de setembro as CPIs dos Correios e do Mensalão aprovam relatório que sugere a cassação de dezoito parlamentares envolvidos no escândalo. São eles Carlos Rodrigues (PL-RJ), João Magno (PT-MG), João Paulo Cunha (PT-SP), José Borba (PMDB-PR), José Dirceu (PT-SP), José Janene (PP-PR), José Mentor (PT-SP), Josias Gomes (PT-BA), Paulo Rocha (PT-PA), Pedro Correia (PP-PE), Pedro Henry (PP-MT), Professor Luizinho (PT-SP), Roberto Brant (PFL-MG), Roberto Jefferson (PTB-RJ), Romeu Queiroz (PTB-MG), Sandro Mabel (PL-GO), Valdemar Costa Neto (PL-SP) (que já havia renunciado um mês antes), Vadão Gomes (PP-SP), Wanderval Santos (PL-SP).
  • Em 2 de setembro, José Alencar, vice-presidente brasileiro, se desliga do Partido Liberal.
  • Em 4 de setembro, revistas brasileiras denunciam um suposto esquema, apelidado de Mensalinho, onde o deputado Severino Cavalcanti possuiria envolvimento.
  • O tradicional desfile de 7 de setembro (independência do Brasil) reúne, em Brasília, menos da metade dos que participaram da edição do ano anterior.
  • Em 9 de setembro o deputado Carlos Rodrigues (do PL-RJ, também conhecido por Bispo Rodrigues), um dos dezoito que poderiam sofrer processo de cassação, decide renunciar ao mandato. A formalização do mesmo se daria na segunda-feira, de acordo com o quarto-secretário da Câmara.
  • Em 12 de setembro é formalizada a renúncia do deputado Carlos Rodrigues.
  • Em 13 de setembro a criação do Partido Municipalista Renovador, legenda que Carlos Rodrigues ajuda a elaborar, é divulgada pela imprensa.
  • Em 14 de setembro, a Câmara dos Deputados aprova a cassação do mandato do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ). Votaram a favor da cassação: 313 deputados, contra: 156, houve 13 abstenções, 5 votos brancos e 2 votos nulos, num universo de 489 votantes.
  • Em 15 de setembro o Partido Socialismo e Liberdade que, durante as investigações do suposto esquema de corrupção teve a sua base de políticos e simpatizantes aumentada (com destaque midiático para a corrente petista Alternativa Socialista) obtem registro definitivo. Isso possibilita que o partido concorra nas Eleições de 2006, criando mais uma opção de oposição de "esquerda" às legendas que estariam envolvidas no Mensalão.
  • Em 21 de setembro o Presidente da Câmara dos Deputados deputado Severino Cavalcanti renuncia. Há dias ele estava pressionado com denúncias de cobrança de propina por parte de um dono de restaurantes (ver mensalinho). Assume interinamente a Presidência o deputado José Thomaz Nonô (Partido da Frente Liberal - Alagoas).
  • Em 23 de setembro o governo libera cerca de R$500 milhões para atender emendas que deputados e senadores fizeram ao orçamento de 2005. O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, diz que a liberação da verba não tem nenhuma relação com a eleição para Presidente da Câmara.
  • Em 28 de setembro o candidato do governo, Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, vence a eleição para a Presidência da Câmara dos Deputados. Rebelo recebe 258 votos e o outro candidato, José Thomaz Nonô do Partido da Frente Liberal, recebe 243. A eleição de Rebelo é comemorada com bastante entusiasmo pelos políticos que apóiam o governo e pelos deputados sob investigação pelo Conselho de Ética.

[Editar]

Autoridades derrubadas pelo escândalo

Abaixo, uma lista de pessoas ou autoridades que perderam seus cargos em consequência do Escândalo do Mensalão:

[Editar]

Maio

  1. Mauricio Marinho, chefe do Departamento de Contratação dos Correios, no dia 14 de maio (demitido formalmente no dia 8 de setembro).
  2. O diretor de administração dos Correios, Antonio Osório Batista, e seu assessor imediato, Fernando Godoy, no dia 16 de maio.
  3. Dr. João Henrique de Almeida Souza, Presidente dos Correios.
  4. Luiz Appolonio Neto, presidente do IRB, no dia 21 de maio.

[Editar]

Junho

  1. Toda a diretoria dos Correios e do IRB em 7 de junho.
  2. Eduardo Armond, responsável pelas relações com clientes governamentais da Empresa Cobra, em 9 de junho. Armond já fez parte da Direção Nacional do Partido dos Trabalhadores. [32], [33]
  3. Os diretores de Furnas: Dimas Fabiano Toledo, Rodrigo Botelho Campos e José Roberto Cesaroni Cury, em 30 de junho.
  4. José Dirceu, ministro da Casa Civil, no dia 14 de junho.
  5. Roberto Jefferson, presidente do PTB, no dia 17 de junho. Teve seu mandato de deputado federal cassado em 14 de setembro.

[Editar]

Julho

  1. Silvio Pereira, secretário-geral do PT, no dia 4 de julho.
  2. Delúbio Soares, tesoureiro do PT, no dia 5 de julho.
  3. Glenio Guedes, Procurador da Fazenda Nacional , diretor do Conselho de Recursos do Sistema Financeiro, no dia 6 de julho.
  4. Luiz Eduardo Franco de Abreu, Vice-Presidente de Finanças, e Edson Monteiro, responsável pela área de varejo e distribuição do Banco do Brasil, foram demitidos pelo banco em 6 de julho. Originalmente os dois foram indicados para seus cargos no Banco do Brasil pelo Partido dos Trabalhadores. O banco negou motivação política na mudança. [34]
  5. José Adalberto Vieira da Silva, assessor do deputado José Nobre Guimarães, no dia 8 de julho. Foi detido em São Paulo com dólares escondidos na cueca.
  6. Kennedy Moura, ex-Assessor da Presidência do Banco do Nordeste do Brasil, em 11 de julho. Afastado depois que foi citado como suposto destinatário do dinheiro da cueca de José Adalberto Vieira da Silva. Moura foi considerado supeito pela Polícia Federal e Procuradoria da República de ter enviado Adalberto a São Paulo (cidade) para buscar o dinheiro. Moura trabalhou como assessor do irmão de José Genoíno e foi indicado por ele para o cargo no Banco do Nordeste.
  7. José Nobre Guimarães, dirigente do diretório estadual do PT-CE, no dia 9 de julho.
  8. José Genoino, presidente do PT, no dia 9 de julho.
  9. Marcelo Sereno, secretário de comunicação do PT, no dia 9 de julho.
  10. Henrique Pizzolato, diretor de marketing do Banco do Brasil, no dia 10 de julho.
  11. Luiz Gushiken do Ministério da Comunicação e Gestão Estratégica é rebaixado. Sua pasta deixa de ser um ministério. Dia 12 de julho.
  12. Mauro Marcelo de Lima e Silva, Diretor-Geral da Abin, em 13 de julho. [35]
  13. Sandra Rodrigues Cabral, assessora-chefe da Assessoria Especial da Casa Civil, em 18 de julho. Sandra era funcionária de confiança do Ministro José Dirceu e amiga há 30 anos do tesoureiro do Delúbio Soares. [36]
  14. Antônio Batista Brito, Diretor de Marketing da Brasil Veículos, empresa subsidiária do Banco do Brasil, em 18 de julho. Envolvido no saque de R$ 326,6 mil da conta da DNA Propaganda no Banco Rural, em janeiro de 2004. [37]
  15. Josenilton Alves Rodrigues, gerente de núcleo do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), em 18 de julho. Também envolvido no saque de R$ 326,6 mil da conta da DNA no Banco Rural. [38]
  16. Marco Antonio da Silva, assessor do então ministro Luiz Gushiken, da Diretoria de Eventos da Secom, em 19 de julho. Documentos da Secom e dos Correios revelam iindícios de violação da Lei de Licitações. É revelado que a esposa de da Silva trabalhou como diretora da empresa Multiaction, de Marcos Valério. [39]
  17. Rodrigo Barroso Fernandes, Presidente da Fundação Municipal de Agricultura de Belo Horizonte, e ex-assessor do prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, do Partido dos Trabalhadores, em 20 de julho. O nome de Barroso aparece numa lista de pessoas beneficiadas com dinheiro do esquema de Marcos Valério. Barroso negou-se a explicar e por causa disso seria indiciado pela Polícia Federal em 5 de agosto. [40], [41]
  18. Wilmar Lacerda, Presidente do PT do Distrito Federal, em 20 de julho. Confirmou para a polícia que recebeu R$ 381 mil do esquema de Marcos Valério. [42]
  19. Luiz Gushiken é rebaixado novamente. Deixa de comandar a Secretaria de Comunicação e vira assessor de Lula, em 21 de julho.

[Editar]

Agosto

  1. Valdemar Costa Neto, deputado federal e presidente do PL, renunciou ao mandato, no dia 1 de agosto.
  2. Marcio Lacerda, secretário-executivo do Ministério da Integração Nacional, pasta do ministro Ciro Gomes, em 2 de agosto.
  3. Marcus Vinícius di Flora, subsecretário da Secom e servidor mais graduado abaixo do ministro Luiz Gushiken, em 2 de agosto. A agenda de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária de Marcos Valério registra encontros entre Valério e Vinicius. [43],[44]
  4. Manoel Severino, presidente da Casa da Moeda do Brasil, pede demissão em 03 de agosto.
  5. Danilo de Camargo, coordenador da Comissão de Ética do PT em 06 de agosto.
  6. Sérgio Amadeu, Presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, em 11 de agosto. Ele pediu demissão porque alegou discordar do Ministério do Planejamento em relação a verbas para migração dos órgãos do governo para software livre. [45]
  7. Paulo Pimenta (PT-Rio Grande do Sul), relator da CPI da Compra de Votos, em 11 de agosto. Apresentou uma lista apócrifa de sacadores do Banco Rural e encontrou-se sozinho com Marcos Valério durante a madrugada na garagem do Senado.
  8. Marcos Antonio Carvalho Gomes, Presidente do Real Grandeza (fundo de pensão dos funcionários de FURNAS e Eletronuclear), em 22 de agosto.

[Editar]

Setembro

  1. Juscelino Antonio Dourado, chefe-de-gabinete do Ministério da Fazenda, em 1 de setembro.

[Editar]

Humor

O programa Pânico na TV criou "malas especiais para carregar mais dinheiro" e tentou colocar grande número de notas em uma cueca; o Casseta & Planeta criou "anedotas de mensalão"(tirada com "anedotas de salão", piadas "clássicas") e tirou sarro do fato de "Luís Inácio Bussunda da Silva" não saber de nada; e o site Charges.com.br chegou a merecer outra matéria na Veja de tantas paródias.

[Editar]

Casos relacionados

[Editar]

Ver também

[Editar]

Multimédia

(vídeo)

Um aniversário que o Brasil não esquecerá(info)

Brasília (14/Jun/2005) - Roberto Jefferson, parou a Câmara e o Brasil para contar o que sabe do esquema de corrupção que produziu a mais grave crise dos 2 anos e meio do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva (2,4 MB, 02:05). Fonte: TV Câmara.

O depoimento de Roberto Jefferson ao Conselho de Ética(info)

Brasília (14/Jun/2005) - Melhores momentos do depoimento do deputado Roberto Jefferson (PTB) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Jefferson denuncia o mensalão e discute com os deputados Valdemar Costa Neto (PL) e Sandro Mabel (PL) (3,2 MB, 03:48). Fonte: TV Câmara.

José Dirceu versus Roberto Jefferson no Conselho de Ética(info)

Brasília (2/Ago/2005) - Melhores momentos do depoimento como testemunha do deputado José Dirceu (PT) ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. Roberto Jefferson está sentado na primeira fila e faz acusações contra Dirceu, entre elas uma suposta negociação com a Portugal Telecom para ajudar financeiramente partidos políticos (2,5 MB, 03:15). Fonte: TV Câmara.

Marcos Valério pede perdão(info)

Brasília (9/Ago/2005) - Início do depoimento do empresário Marcos Valério para a CPI de Compra de Votos (Mensalão). O empresário pede perdão ao povo brasileiro (3,9 MB). Fonte: TV Câmara.

Lula diz que se sente traído(info)

Brasília (12/Ago/2005) - Um dia após o depoimento de Duda Mendonaça para a CPI dos Correios, o Presidente do Brasil Luiz Inácio Lula da Silva faz um pronunciamento à nação brasileira. Parte 1: Lula diz que se sente traído (264 KB). Fonte: TV Câmara.

Lula promete punir os culpados(info)

Brasília (12/Ago/2005) - Segunda parte do pronunciamento de Lula à nação brasileira. Lula diz que irá punir todos os culpados, inclusive aqueles que pertencem a seu próprio partido (747 KB) Fonte: TV Câmara.

Lula pede desculpas(info)

Brasília (12/Ago/2005) - Terceira e última parte do pronunciamento de Lula à nação brasileira. Lula pede desculpas ao povo brasileiro (555 KB). Fonte: TV Câmara.

"Tirei a roupa do rei"(info)

Brasília (14/Set/2005) - O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) encerra seu discurso dizendo que sai de "cabeça erguida" e que "tirou a roupa do rei". (4,3MB). Fonte: TV Câmara.

Confusão durante reunião conjunta das CPIs dos Correios e Mensalão, para ouvir o banqueiro Daniel Dantas .(info)

Brasília (21/Set/2005) - Trocas de ofensas e tentativas de agressão entre parlamentares brasileiros do PT, PDT, PSOL e PSDB (2,4MB). Fonte: TV Câmara.

Problemas a ver vídeos ? Ajuda.

[Editar]

Áudio

(video)Roberto Jefferson diz que todo mundo já ouviu falar sobre o mensalão.

Depoimento do Deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) para a CPI do Mensalão em 4 de agosto de 2005. O deputado diz que todo mundo, imprensa e parlamentares, já ouviu falar, alguma vez, sobre o mensalão. Ele diz que: "quem nega é porque tem medo, ou é porque recebe". (1,6MB).

(video)O último discurso de Roberto Jefferson na Câmara dos Deputados.

Último discurso do deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) durante sessão que votou pela sua cassação.

[Editar]

Mídia

(notícias)

Jefferson diz para Folha de São Paulo que PT pagava mesada de R$ 30 mil a parlamentares em troca de apoio, 6 de Junho, 2005

O jornal brasileiro Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria que relata que o deputado Roberto Jefferson, Presidente do PTB, partido aliado do governo brasileiro, disse em entrevista que o Partido dos Trabalhadores (PT) pagava uma mesada de R$ 30 mil a parlamentares.

Duda Mendonça disse que dinheiro ilegal pagou a campanha de Lula, 11 de Agosto de 2005

Duda Mendonça, o publicitário responsável pela campanha do Presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva admitiu que o custo da campanha de 2002 para a Presidência foi pago com dinheiro ilegal, oriundo de fundos não declarados (caixa 2) e de paraísos fiscais. A campanha de Lula e outras campanhas políticas do Partido dos Trabalhadore (PT) foram pagas com dinheiro ilegal, disse Duda.

Veja a cobertura completa na Wikinotícias.

[Editar]

Referências

  1. ^ A imprensa em questão, Alberto Dines
  2. ^ Presidente do PSDB admite caixa dois e culpa assessor pelo esquema
  3. Depoimento do Deputado Roberto Jefferson para a CPMI dos Correios em 30 de Junho de 2005

[Editar]

Ligações externas

O Wikimedia Commons possui multimídia sobre: Escândalo do mensalão.